'Tijuca contra Nordeste': áudio de 2025 mostra Ed Motta ameaçando briga com barman de restaurante e o xingando de 'paraíba filho da p...'
Áudios obtidos pelo RJ2 mostram Ed Motta chamando funcionário de ‘paraíba’ O cantor e compositor Ed Motta é investigado por injúria por preconceito con...
Áudios obtidos pelo RJ2 mostram Ed Motta chamando funcionário de ‘paraíba’ O cantor e compositor Ed Motta é investigado por injúria por preconceito contra um funcionário do restaurante Grado, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. O RJ2 teve acesso a áudios enviados pelo músico ao dono do estabelecimento, em 2025, nos quais ele ameaça brigar com um barman e o xinga de “paraíba filho da puta”. Em um dos trechos, Ed Motta reclama do comportamento do funcionário e faz referência ao fato de ele ser nordestino. "Eu tive uma noite horrível ontem por conta desse cara. Na décima [vez], se eu for falar com ele, vai sair porrada. Porque é a Tijuca contra o Nordeste, né? Então, é tipo: 'pô cara, seu paraíba filho da p..., entendeu? Você tá trabalhando com público, você não pode se comportar desse jeito. Em outro trecho, o cantor afirma: “A próxima é tipo pular o balcão e pegar ele.” A defesa de Ed Motta afirma que esses áudios são "antigos, fora de contexto" e divulgados com o claro objetivo das partes em influenciar a investigação sobre o episódio ocorrido no dia 2 de maio (leia a íntegra da nota mais adiante na reportagem). Depoimento Áudio de 2025 mostra Ed Motta ameaçando briga com barman de restaurante e o xingando Ed Motta prestou depoimento nesta terça-feira (12) na 15ª DP (Gávea) pelo episódio ocorrido em 2 de maio. Ele e amigos estavam em uma mesa e reclamaram de terem sido cobrados pela taxa de rolha. Houve bate-boca com funcionários, e o artista deixou o local irritado. No caminho para a saída, jogou uma cadeira longe. Após ele deixar o local, um de seus amigos deu um soco e jogou uma garrafa de vinho em um cliente, que ficou ferido. O amigo, Nicholas Guedes Coppim, responde por lesão corporal, em inquérito no qual Ed Motta é testemunha. O cantor é investigado pelo crime de injúria por preconceito . O cantor deixou a delegacia no início da tarde, após cerca de duas horas de depoimento, sem falar com a imprensa. Desculpas após briga Após a briga, Ed Motta enviou um outro áudio – também incluído na investigação – ao dono do Grado, no qual pede desculpas por ter jogado a cadeira no chão, mas reclama da cobrança da taxa de rolha. "Eu tive uma experiência terrível no restaurante. Fiz a reserva de uma mesa e vocês não me avisaram que teria uma rolha. A gente se conhece há tantos anos.... Poxa vida, tem que respirar fundo. E apareceu a rolha. Eu peço desculpa porque eu joguei uma cadeira, joguei uma cadeira no chão de ódio, entendeu?", disse. E continuou: "Eu fiquei com ódio mortal da rolha que foi cobrada, o desrespeito que foi... Acho que a rolha, tudo bem cobrar a rolha, não tem problema nenhum, eu poderia pagar a rolha, não há problema com isso. A questão é combinar antes, né?", disse. Em outra gravação, Ed Motta chama o funcionário de “babaca”. “Hoje eu desci o sarrafo porque um amigo fez uma pergunta pra ele e ele não respondeu. Simplesmente não respondeu. Eu falei: ele é assim mesmo, ele é um babaca.” Os depoimentos À polícia, o barman disse que Ed se dirigiu a ele dizendo "Vai tomar no c*, seu filho da put*, paraíba", entre outras ofensas. À polícia, Ed disse que a acusação é "infudada", já que é neto de baiano e bisneto de cearense, possuindo "amplo respeito pelos nordestinos". O artista também disse que é gordo, negro e repudia qualquer tipo de preconceito. Ed também afirmou que já teve problemas anteriores com o garçom: em algumas ocasiões anteriores, teria sido ignorado "sem qualquer motivo" ao perguntar sobre bebidas, o que também teria ocorrido com uma amiga sua. Sobre o início da confusão, Ed disse que se sentiu “chateado e desprestigiado” ao ser cobrado da taxa de rolha no restaurante Grado. Ed negou ter ofendido qualquer funcionário e disse que não teve a “intenção de acertar qualquer pessoa” ao arremessar a cadeira no salão. A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP, disse que ouvirá as testemunhas indicadas por Ed Motta nos próximos dias. O cantor indicou ao menos 3 pessoas que estavam na mesa no dia do incidente. Além disso, o homem que jogou a garrafa e o dono do restaurante serão ouvidos nos próximos dias. Ed Motta prestou depoimento na 15ª DP (Gávea) Rafael Nascimento/g1 Rio Outros destaques do depoimento Ed declarou que é cliente do Grado “há cerca de 9 anos” e que “divulgou o estabelecimento em suas redes sociais diversas vezes”. O cantor afirmou que “sempre leva sua própria garrafa de vinho” e que “em nenhuma ocasião lhe foi cobrada a taxa de rolha, tendo em vista o elevado consumo”. Segundo Ed, o restaurante já lhe deu cortesia mesmo quando dividia mesa com amigos. Ed foi reclamar com o gerente, que lhe respondeu que “a taxa foi cobrada em virtude de a mesa estar cheia”. O artista relatou que “ficou extremamente chateado, levantou-se e disse: ‘Nunca mais volto aqui’”. “Ainda sob influência de emoção, pegou uma cadeira e arremessou-a ao chão, sem a intenção de acertar qualquer pessoa — a cadeira sequer danificou”, prossegue o termo. O cantor acrescentou que, “em virtude de seu tamanho, esbarrou em uma mesa onde havia dois casais” e notou que, “por conta desse esbarrão, uma bolsa de umas das ocupantes da mesa caiu ao chão”. Ed afirmou também que “na mesma noite enviou mensagens o sócio do estabelecimento, dizendo que não gostou do atendimento” e que só soube do fim da confusão — com mais xingamentos e agressões — na manhã seguinte. O que diz a defesa de Ed sobre os áudios Sobre os áudios veiculados no RJ2 desta terça, a defesa de Ed Motta se pronunciou com a seguinte nota, assinada por Pedro Ivo Velloso, Mariana Beda e Tathiana Costa: "A defesa de Ed Motta repudia a tentativa de manipulação de narrativa por meio da divulgação de áudios antigos, fora de contexto, com o claro objetivo das partes em influenciar a investigação sobre o episódio ocorrido no dia 2 de maio, em um restaurante no Rio de Janeiro. Conforme já esclarecido em depoimento, Ed Motta afirma ser absolutamente falsa a acusação de que teria chamado alguém de “Paraíba” naquela noite. A divulgação de um áudio antigo, privado, gravado em outro contexto e sem qualquer relação com os fatos investigados, apenas evidencia a tentativa de construção artificial de uma versão que jamais ocorreu. A defesa lamenta o vazamento distorcido e descontextualizado de áudios e reafirma que Ed Motta não agrediu ninguém naquela noite e não possui qualquer tipo de preconceito contra quem quer que seja. O artista rejeita com veemência a criação de fatos inexistentes e seguirá colaborando com os esclarecimentos necessários perante as autoridades competentes". Relembre o episódio Ed e amigos se desentenderam com funcionários e outros frequentadores. Uma das pessoas que acompanhava o cantor, Nicholas Guedes Coppim, é investigado por dar um soco e arremessar uma garrafa durante a confusão. Ele responde por lesão corporal. Segundo um depoimento à polícia, a garrafa bateu na parede à frente e estilhaçou. Ela tinha sido arremessada com tanta força, diz o depoimento, que chegou a quebrar um relógio na parede. A garrafa tinha mais quase que o dobro de tamanho de uma garrafa normal. Ed é investigado por injúria por preconceito contra um funcionário. O crime prevê pena de reclusão de 1 a 3 anos. Um funcionário da casa relatou em depoimento na delegacia que Ed Motta fez ofensas xenofóbicas contra nordestinos. O cantor teria dito ao barman da casa: "Vai tomar no c*, seu filho da put*, paraíba", entre outras ofensas. Um relato do funcionário também foi exibido no Fantástico. Ed Motta presta depoimento sobre confusão em restaurante Rafael Nascimento/ g1 Taxa de rolha Ed Motta é esperado para depor nesta terça sobre confusão no Grado Os desentendimentos começaram por causa da cobrança de taxa de rolha da casa. O barman explicou que Ed Motta não costumava pagar a taxa quando ia sozinho ou somente com a esposa ao estabelecimento mas que, como havia mais seis pessoas na mesa, a taxa foi cobrada, o que deixou o artista descontente com a situação. Outros funcionários também corroboraram o relato em depoimentos à polícia. Um dos homens que estava com Ed, Nicholas Guedes Coppim, teria perguntado, em tom irônico: "Você gosta de mulher ?", o que deixou o funcionário constrangido. Nesse momento, Ed teria dito: "Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba". Em seguida, o cantor teria colocado a taça de vinho no balcão e acrescentado: "Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas", antes de se levantar e dizer: "Cambada de paraíba". Depois, ainda teria se virado para o funcionário e falado: "Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba". Imagens mostram que o cantor ainda jogou uma cadeira, que não atingiu ninguém. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop. Ed Motta atira cadeira em restaurante do Rio Reprodução A confusão, que começou por um desentendimento entre pessoas que estavam na mesa de Ed e funcionários, posteriormente, passou a envolver frequentadores da mesa ao lado. Imagens e depoimentos indicam que uma pessoa desta mesa foi agredida com uma garrafada e um soco. Os agentes da 15ª DP (Gávea) investigam se houve dois crimes: a lesão corporal contra uma pessoa da mesa vizinha à do cantor, investigação na qual o Ed Motta está classificado como testemunha; e injúria por preconceito, onde ele seria autor. A defesa de Ed Motta negou agressão por parte dele e disse ao Fantástico que o artista saiu indignado devido ao atendimento. O advogado de Nicholas Guedes Coppim, que é investigado por lesão corporal, afirmou ao Fantástico que o cliente está à disposição das autoridades, assim como a defesa de Diogo Couto, que também estava envolvido na confusão. A defesa de Diogo disse que o cliente repudia qualquer ato de violência.